Alisamento sem formol
- Categoria: Cabelos
- Criado em Sexta, 21 Maio 2010 11:29
- Escrito por Redação
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Está confirmado: o formol é cancerígeno e também uma substância ilícita e proibida pela ANVISA! Logo, imagina-se que, os salões de beleza espalhados pelo Brasil a fora - estejam seguindo a lei. Certo? Errado.
Infelizmente, parte desses salões de beleza (ainda não se tem números exatos), continuam expondo direta ou indiretamente os seus profissionais aos vapores do formaldeído, nome da substância química usada na técnica da escova progressiva e, que integra o grupo de risco para desenvolver um câncer.
Se há alguma dúvida sobre o quão cancerígeno é o formol, o Pubmed – base virtual de dados bibliográficos, que pertence ao governo americano e armazena artigos científicos de todo o planeta, faz um estudo diário no qual registra 2.484 artigos, aproximadamente, sobre a relação entre formol e câncer. E quer saber? Esses estudos não são recentes! Há décadas o formol é largamente utilizado nos mais diversos setores da indústria – da fabricação de celulose à de tintas e corantes, passando por resinas, espelhos e desinfetantes.
Um dos trabalhos mais recentes e, publicado há exatamente um ano, no Journal of the Nacional Cancer Institute, revela que os operários da indústria expostos aos altos níveis de formol, tiveram maior probabilidade de morrer de vários tipos de câncer de sangue e do sistema linfático, principalmente leucemia, em vista dos que não tinham tido contato com o formol.
O futuro do alisamento
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a tendência é que o formaldeído seja substituído por compostos menos tóxicos, já que o formol é extremamente tóxico. Para quem ainda não se deu conta, afirmar que a substância irrita o sistema respiratório é pouco. Ela é cancerígena mesmo e ponto final.
E, apesar de, não existir uma quantidade mínima de exposição capaz de pôr a saúde em risco, quanto maior o contato com o produto, maior a probabilidade de se desenvolver a doença, inclusive na região da boca e do pescoço. Mas, isso não quer dizer, que o pouco contato com o formaldeído afaste o perigo, ok?

Quais são os efeitos da exposição ao formol?
Em geral, dores de cabeça, vertigem, falta de ar, irritação nos olhos, no nariz, nas mucosas e no trato respiratório, sem falar em edema pulmonar, dependem da concentração da substância e da sensibilidade individual, mas são praticamente imediatos. Já os crônicos, caso do câncer, têm um período de latência grande, isto é, os sintomas demoram a aparecer.
Os especialistas dizem que a maior parte dos estudos que demonstraram a ação cancerígena do formol incluiu pessoas expostas durante pelo menos um ano. O câncer, em si, demora de dez a 20 anos, a partir do início da exposição, para se desenvolver.
E não pense você, caro (a) leitor (a) que aquela mascara “criada” para resolver o problema do cheiro forte, além da utilização de aromatizantes para disfarçar o odor é pura maquiagem, afirmam os médicos.
O perigo continua no ar, só que perfumado. Os profissionais dos institutos de beleza, que manuseiam produtos com uma composição química muito forte são sérios candidatos a sofrer mutações no material genético, o que pode favorecer algum tipo de câncer, sobretudo o de bexiga.
Comprovando e provando o malefício do formol

Segundo a revista Cabelos & Cia, um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) confirma a tese: esses trabalhadores são duas vezes mais suscetíveis a danos em seu material genético do que o resto dos mortais.
Matéria veiculada pela Agência USP de Notícias trouxe à tona um estudo pioneiro da bióloga Maira Precivalle Galiotte. Sob a orientação da pesquisadora Gilka Gattás, ela estudou 160 mulheres – 80 delas profissionais de salões de beleza na cidade de São Paulo. As outras 80, que não trabalham no setor, formaram o grupo denominado controle.
A partir das amostras de sangue, foram realizados dois testes. O do Micronúcleo mostrou, na primeira turma de voluntárias, o dobro de alterações cromossômicas, indicando, portanto, a exposição a agentes carcinógenos. O do Cometa, assim chamado porque os danos no material genético formam uma espécie de cauda, também flagrou nas profissionais da beleza regiões em que o DNA sofreu algum tipo de mutação. Ou seja, alterações mais significativas foram encontradas nas trabalhadoras da área.
Esclarecendo: apresentar mutações no DNA não significa que o câncer vá se instalar obrigatoriamente, mas sim que o risco de que a doença venha a se desenvolver é maior.
O tipo de câncer mais associado à substância é o de nasofaringe, que abrange as fossas nasais e os seios da face. Mas o IARC também aponta fortes evidências da relação entre o formaldeído e a leucemia, agora reforçada pelo estudo publicado no Journal of the Nacional Cancer Institute. Sem nenhuma sombra de dúvida, a substância química – alerta o IARC – é teratogênica, isto é, leva a malformações fetais.
Segurança já e para todos!
Poucas mulheres insatisfeitas com a cabeleira que a genética lhes deu escapam do apelo dos cabelos mais lisos. Ok, nada contra domar os fios rebeldes e volumosos. Mas, melhor fariam elas se, orientadas pelo cabeleireiro de confiança, recorressem aos ativos alisantes permitidos pela legislação: o ácido tioglicólico ou um dos hidróxidos – de sódio, potássio, cálcio, lítio e guanidina.
Do ponto de vista químico, o formaldeído não se enquadra nessa categoria. Por isso foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) de ser usado com essa finalidade.
A lei é clara. Promulgada em 17 de junho de 2009, a resolução RDC nº 36 proíbe a exposição, a venda e a entrega ao consumo de formol ou formaldeído (solução a 37%) em drogaria, farmácia, supermercado, armazém e empório, loja de conveniência e drugstore.
No Rio de Janeiro, a Lei nº 5.409, de 18 de março deste ano, tornou obrigatória a exibição de cartaz nos salões de beleza de todo o Estado com o aviso de que o uso do formol é terminantemente proibido.
Por lei, o formol só é permitido como agente endurecedor de unhas e como conservante de formulações, no limite máximo de 0,2%. A adição nesses níveis deve ser feita durante o processo de industrialização. Acrescentar a substância ao produto cosmético pronto, seja qual for a concentração, configura adulteração, prática considerada como crime hediondo pelo Código Penal Brasileiro.
Embora os Centros de Vigilância Sanitária recebam inúmeras denúncias sobre problemas causados por cosméticos, fiscalizar os salões com o devido rigor é inviável. Há que se pensar e refletir: o formol ameaça principalmente a saúde da pessoa que manipula a substância. Vale mesmo a pena pôr em risco a sua própria vida para embelezar outras pessoas? Acho que estamos diante de um bom motivo, para se pensar e lutar pela regulamentação da profissão, o que levaria à criação de normas de funcionamento dos institutos de beleza.
Texto original extraído da Revista Cabelos & Cia
Adaptação: Elaine Rodrigues / Fotos: Getty Images



